
Audiovisual: O Equilíbrio entre Criação e Políticas Públicas
- Benedito Minotti

- há 10 minutos
- 4 min de leitura
Em 2026, o mercado audiovisual brasileiro se encontra em um ponto crucial, onde a efervescência criativa das produções independentes e a força de grandes players como a Globo se entrelaçam com a constante necessidade de um ecossistema de políticas públicas robusto e estratégico. A discussão sobre editais, fomento, e a própria regulamentação do setor, como a ANCINE e a Lei do Audiovisual, não é apenas um tema para bastidores de Brasília, mas uma força motriz que define a viabilidade, a diversidade e o alcance do nosso cinema e das nossas séries.

Foto de André Eusébio no Pexels
A Vitalícia Conexão: Criação e Mecanismos de Fomento
Quando falamos de produção audiovisual, é fácil cair na armadilha de focar apenas nos aspectos técnicos: roteiro, direção, edição, fotografia. No entanto, a realidade para quem está no campo de batalha da produção em 2026 é que a viabilidade de tirar uma ideia do papel depende, muitas vezes, de um profundo conhecimento e navegação no universo dos editais e mecanismos de fomento. A Lei do Audiovisual, por exemplo, continua sendo um pilar fundamental, mas sua eficiência e alcance dependem de regulamentações atualizadas e de um entendimento claro por parte dos produtores sobre como utilizá-la de forma otimizada.
A recente notícia sobre a autorização de captação de cerca de R$ 240 milhões pela ANCINE, como noticiado, é um alento, mas o que observamos na prática é que a complexidade tributária em torno desses valores pode impactar o montante final disponível para a execução do projeto. Essa é uma nuance que foge dos tutoriais genéricos: não basta saber se inscrever, é preciso entender a gestão financeira e tributária dos recursos incentivados para que eles realmente se transformem em conteúdo de qualidade. O mercado, historicamente, tem operado sob uma ótica de que esses valores são vinculados à execução de um projeto, e não receita livremente disponível, mas a fiscalização atenta e novas interpretações podem mudar esse cenário, exigindo atenção redobrada dos produtores e advogados tributaristas do setor.
O Trade-off da Eficiência: Editais e o Tempo do Mercado
Um exemplo prático que vivenciamos em nossas produções é o desafio do timing. Um edital pode ter um cronograma de divulgação de resultados que, por mais eficiente que seja, pode não se alinhar com as janelas de oportunidade do mercado. Imagine uma produtora com um projeto promissor que poderia captar a atenção de plataformas de streaming com um lançamento em um determinado período. Se o resultado do edital demora a sair ou se o período de captação se estende demais, a janela de oportunidade pode fechar antes que o projeto esteja pronto para ser lançado ou aproveitado.
O Poder do Independente e a Voz Internacional
Em 2026, o cinema e as séries brasileiras independentes continuam a ser um celeiro de novas linguagens e narrativas. A iniciativa da plataforma digital "Bancada da Pipoca", lançada em agosto de 2026, é um marco nesse sentido. Ao formalizar o compromisso de candidatos com as pautas da indústria nacional, o projeto demonstra um amadurecimento do setor em buscar ativamente seu espaço na agenda política. O reconhecimento internacional dessa iniciativa, com a carta da Confederação Internacional de Autores Audiovisuais (Avaci), reforça a importância de um setor audiovisual soberano, justo e sustentável.
Para nós, produtoras independentes, ver iniciativas como essa ganhando força é fundamental. A união de associações como a API, Bravi e Abraci, com o apoio de sindicatos, cria uma voz coletiva que não pode ser ignorada. Essa articulação política não é apenas sobre buscar mais recursos, mas sobre garantir um ambiente regulatório que favoreça a diversidade de vozes e a produção de conteúdo que reflita a riqueza cultural do Brasil.
Sustentabilidade: Uma Agenda em Ascensão no Audiovisual
Outro ponto que merece destaque em 2026 é a crescente importância das práticas de sustentabilidade na produção audiovisual. O reconhecimento que a Globo recebeu do Mipcom e da ONU por suas práticas de sustentabilidade, com o modelo Aterro Zero e o uso de energia renovável, serve de exemplo e inspiração. Embora grandes players tenham mais recursos para investir em transições ecológicas, a conscientização e a adoção de práticas mais verdes, como o Guia de Produções Verdes, estão se tornando cada vez mais acessíveis e necessárias para todos os tipos de produção, inclusive as independentes.
O "porém" aqui é que a implementação de práticas sustentáveis muitas vezes envolve um custo inicial maior ou uma curva de aprendizado. Para produções de baixo orçamento, a busca por alternativas sustentáveis pode ser um desafio, mas é um desafio que precisamos abraçar. O futuro do nosso setor também passa pela responsabilidade ambiental e social, e as políticas públicas podem e devem incentivar essa transição.
O Papel da ANCINE e a Continuidade das Políticas
A ANCINE, como órgão regulador, tem um papel central em garantir que os mecanismos de fomento sejam eficientes e transparentes. Em 2026, a expectativa é que a Agência continue a promover um ambiente favorável à produção, incentivando a diversidade de gêneros, formatos e origens regionais. A relação entre a audiência e o conteúdo também é um ponto a ser observado. O recorde de audiência da Copa do Brasil em São Paulo, alcançado pela TV Globo, demonstra a força do conteúdo televisivo em eventos de grande porte, mas não podemos esquecer que o mercado de streaming e as novas plataformas digitais exigem estratégias de produção e distribuição distintas.
A legislação e as políticas públicas precisam dialogar com todas essas frentes. Precisamos de um ecossistema que apoie tanto a produção de grandes eventos televisivos quanto a criação de séries originais para plataformas, documentários que ampliem nosso olhar sobre a realidade e filmes que contem nossas histórias com autenticidade. A força do audiovisual brasileiro em 2026 reside na sua capacidade de se adaptar, inovar e, acima de tudo, contar com um arcabouço legal e financeiro que o sustente nessa jornada.
Conheça a Bendita Filmes
A Bendita Filmes é uma produtora audiovisual e agência em São Paulo especializada em:
Vídeos Institucionais · Produções para YouTube · Instagram e TikTok · Publicidades e Campanhas · Filmagens de Eventos · VFX e Vídeos Animados · Transmissões ao Vivo · Produção de Vídeos com IA · Fotografias



