
Novas Regras ANCINE Cota de Tela: Incentivos e Priorização de Projetos Audiovisuais
- Raul Minotti
- há 21 horas
- 3 min de leitura
O cenário do audiovisual brasileiro está em constante movimento, e as recentes atualizações normativas da ANCINE sinalizam um caminho de incentivo e otimização para a produção e exibição de filmes e séries. Recentemente, a Agência Nacional do Cinema publicou a Instrução Normativa 175, que traz novidades importantes para a Cota de Tela, além de ter divulgado novos critérios para a priorização da análise de projetos audiovisuais.

Foto de Tima Miroshnichenko no Pexels
Novas Regras para a Cota de Tela: Incentivo a Horários Nobres
A Instrução Normativa 175, publicada pela ANCINE, modifica a norma de 2024 e introduz um modelo de incentivos cumulativos para a exibição de longas-metragens brasileiros. O principal objetivo é combater o descompasso entre a quantidade de sessões de filmes nacionais e o público efetivamente alcançado, que, segundo dados de 2023, representavam 7,5% das sessões e apenas 3,3% do público. Com a norma anterior em vigor em 2024 e 2025, a participação em sessões subiu para 15,7%, mas o público se manteve em torno de 10%.
Como funcionam os novos incentivos?
A nova regulamentação prevê acréscimos na pontuação para o cumprimento das obrigações de exibição. Longas-metragens brasileiros programados a partir das 17h, em qualquer dia da semana, ganham um bônus de 0,10. Se esse filme continuar em cartaz no mesmo horário entre a segunda e a quarta semana cinematográfica de exibição em um complexo, um acréscimo adicional de 0,025 é aplicado. Essa medida busca incentivar que filmes nacionais ocupem horários de maior potencial de audiência, alinhando a oferta à demanda do público e fortalecendo a presença do cinema brasileiro nas salas.
Priorização na Análise e Liberação de Recursos: Agilidade e Estratégia
Paralelamente às mudanças na Cota de Tela, a ANCINE também atualizou os critérios para a priorização da análise de projetos audiovisuais, estabelecidos pela Portaria nº 674-E. O objetivo é otimizar o fluxo de solicitações de captação e liberação de recursos de fomento, especialmente em um cenário dinâmico e competitivo.
Projetos com Foco Estratégico em Destaque
Na prática, os projetos que terão prioridade na análise são aqueles que apresentam maior urgência e potencial de impacto. Isso inclui:
Projetos com captação pactuada: Aqueles que já possuem declaração ou contrato de patrocínio ou investimento, especialmente ligados a mecanismos de incentivo fiscal geridos pela ANCINE.
Prazos iminentes: Projetos com datas de filmagem ou lançamento próximas, demandando celeridade na aprovação.
Risco de perda de recursos: Situações em que há o risco de que o fomento seja perdido caso a análise se prolongue.
A priorização de ofício também se estende aos projetos selecionados no âmbito do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), desde o conhecimento do resultado final da chamada pública pela Diretoria Colegiada, mantendo-se até a publicação no Diário Oficial da União (DOU). Para a liberação de recursos, a normativa prevê o repasse imediato oriundo de mecanismos de incentivo fiscal. Essa agilidade é crucial para que os produtores possam executar seus projetos dentro do cronograma previsto, especialmente com o ano de 2026 em andamento.
Formação e Novas Tecnologias: Preparando o Mercado para o Futuro
Enquanto a regulamentação se ajusta, o mercado também se movimenta em outras frentes. A Spcine, empresa pública de cinema e audiovisual de São Paulo, reforça seu compromisso com a democratização do conhecimento ao oferecer formações gratuitas focadas em games e novas tecnologias audiovisuais ao longo de maio. Iniciativas como a masterclass "Entre Jogos e Imagens: Fundamentos do Audiovisual Interativo", com Sérgio Nesteriuk, demonstram a importância de explorar as linguagens híbridas e as potencialidades da interação no campo audiovisual contemporâneo. O debate sobre inteligência artificial e autoria híbrida, presente nessas formações, aponta para um futuro onde as linhas entre o real e o digital se tornam cada vez mais tênues.
O Desafio da Regulamentação do Streaming
Em um cenário de diversificação de plataformas e modelos de consumo, a regulamentação do streaming continua sendo um ponto de atenção. A indústria expressa preocupação com a possível omissão do governo federal nas discussões, o que poderia atrasar avanços legislativos. A Strima, representando diversas plataformas importantes, tem buscado uma postura propositiva. A discussão legislativa em andamento, entre os Projetos de Lei 8889 e 2331, busca encontrar um equilíbrio que contemple as particularidades do mercado brasileiro, ao mesmo tempo em que acompanha as tendências globais de regulação de serviços de conteúdo audiovisual sob demanda.
Manter-se atualizado com as normas da ANCINE e as discussões do setor é fundamental para navegarmos neste mercado audiovisual brasileiro em constante transformação, garantindo que o fomento e a regulamentação sirvam como verdadeiros motores para a criação e a difusão de conteúdos de qualidade.
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